O processo começa sempre com uma joia de filigrana tradicional, tomada como ponto de partida para uma nova interpretação. A partir das suas formas, ornamentos e memórias, a peça é desconstruída, ampliada e recriada em grande escala através da técnica da filigrana de corda.
Nesta técnica, a corda de seda é modelada manualmente, seguindo o desenho previamente concebido, e posteriormente endurecida para adquirir estrutura e permanência. Depois de seca e estabilizada, a corda é revestida artesanalmente com folha de ouro, prata ou cobre, transformando uma matéria têxtil numa superfície de aparência metálica.
O resultado é uma espécie de deslocamento: uma joia tradicional deixa de ser apenas joia e transforma-se em escultura, objeto ou corpo. A escala altera a sua função, mas preserva a memória da forma original.
É neste intervalo entre tradição e reinvenção, ornamento e escultura, passado e futuro, que nasce a filigrana de corda.
Ao alterar a escala, Íris Loba não reproduz a tradição — transforma a forma como ela pode existir.